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Entrevista: Homero Castelo Branco

17 de agosto de 2011

Homero Ferreira Castelo Branco Neto. Natural da cidade de Amarante-Piauí, onde nasceu em 3 de abril 1943. Filho do Desembargador Hebert de Marathaoan Castelo Branco e Hosana Pontes Castelo Branco. Graduou-se em Ciências Econômicas, pela Universidade federal do Ceará, em 1967. Ocupou os cargos de Diretor do Departamento de Assistência Técnica aos Municípios; Secretário de Planejamento do Município de Teresina, Prefeito Municipal de Teresina; Subsecretário de Planejamento do Piauí e Deputado Estadual.
Amante da Literatura, escritor de punho seguro e delicado. Dedica longo tempo às indagações históricas e Genealogias, e o que escreve sai vestido em linguagem elegante e concisa. Membro da Academia de Letras do Vale do Longá e da Academia de Letras do Médio Parnáiba.

Autor do Projeto “Passe Adiante”, publicou: ‘História do Velho Homero’; ‘Finada Auta’, ‘Padre Marcos’; ‘Temas de uma Vida Parlamentar’, ‘Ecos do Amarante’ e ‘Planejamento Familiar e Aborto: Uma discussão sem hipocrisia’.

“Família”

O senhor acredita que uma família deve ter necessidade de aprofundar e divulgar a educação nas virtudes humanas?

Dr. Homero: As populações dos grandes centros urbanos são geralmente heterogêneas, em razão das migrações inter-regionais, camadas sociais e padrões culturais diferentes e tradições familiares divergentes. Surge então, a chamada heterogamia, formando grupos familiares nos quais não existe um comportamento uniforme e harmônico, como padrão a ser exemplificado e transmitido à prole. Os exemplos para os filhos são deficientes e os próprios cônjuges não sabem indicar qual o comportamento adequado na vida comum

Quais elementos o senhor considera básicos para que se possa recolocar na mente dos brasileiros que a família deve ser o centro de tudo?

Dr. Homero: Numa Sociedade submetida a processos de desorganização social, é evidente que o grupo familiar deva apresentar sintomas de desintegração. Nas sociedades tradicionalistas e estáveis a família revela-se sempre como instituição forte, de grande influência no todo social, a ponto de haver quem sustente que a sociedade não é resultante do agrupamento de pessoas, mas de famílias. Já na moderna civilização, com uma sociedade extremamente dinâmica, operasse um enfraquecimento dos laços de coesão do grupo familiar, submetido à fragmentação de interesses e à expansão do individualismo, face às inevitáveis influências socioeconômicas no mundo atual Aquela estabilidade cedeu lugar a um novo quadro de desorganização e essa nova condição do grupo familiar deu sequência aos processos de desintegração social.

“Papel das mulheres no mundo”

De acordo com sua visão, qual o papel das mulheres no mundo?
Dr. Homero: A mulher possui um importante papel em toda e  qualquer sociedade. Cada vez mais elas têm ocupado espaços em todos os lugares, pela igualdade de direitos com os homens, em todos os setores que geram a prosperidade de um país. À a mulher, regendo á frente de parlamentos municipais, estaduais, federais, chefes de executivos e Estados. Como são os casos da presidente Dilma Housseff, da deputada federal Iracema Portela e da prefeita  Luiziane Lins, de Fortaleza, no Ceará, ambas trabalhando pela prosperidade humana e de muitas outras ao redor do mundo.

oto2Qual a sua visão sobre os movimentos feministas?
Dr. Homero: No meu livro, “Planejamento Familiar e Aborto – Uma discussão sem hiprocrisia ”, traz em anexo um artigo do médico e professor da UFC, Josué de Castro, cujo conteúdo ressalta que , não se deve fazer nenhum confronto entre os dois sexos , pois eles se completam . A condição machista ficou isolada. Entretanto não deverá dar lugar ao feminismo que traz, dentro de si, exagero, frustração ou ambições sociais e políticas reprimidas


Enfrentando diversas discriminações e adaptações em relação aos “afazeres puramente femininos”, como cuidar de casa e da família, a mulher conseguiu superar suas dificuldades e ainda administrar seu tempo a favor de suas atividades, para que as questões familiares não entrem em conflito com questões profissionais e sociais. Mas como a mulher deve agir com aqueles que ainda acreditam que “lugar de mulher é no fogão”?
Dr. Homero: Ainda de acordo com o médico e professor da UFC, Josué de Castro a conquista social da mulher trouxe-lhe sucesso e glória, mas, subjacente a isso, vieram as frustrações, hostilidades e estresse, próprios de competição profissional. Nessa época de tecnicismo e racionalismo , há muita lógica em atribuir à mulher espaços nos meios social, sem prejuízo à função biológica. Mesmo porque ela tem na atividade produtora um dom divino que não se pode ser transferido em nenhuma circunstância.
O universo feminino tem vários exemplos de mulheres que transitam com desenvoltura pelo cenário internacional, com a marca da ousadia e de muita determinação de que é possível, sim, chegar ao topo da montanha.

“Literatura”/ “Qualidade de Vida”

O senhor acredita que um escritor pode se dedicar de forma exclusiva à literatura como fonte de renda?
Dr. Homero: Viver de literatura no Brasil é viável sim. O difícil, quase impossível , é viver de direitos autorais . O que o escritor ganha com a venda de seus livros é irrisório, apenas 10% do valor do livro. Num país que lê pouco e compra poucos livros não dá pra viver disso. Por isso a grande maioria dos escritores no Brasil tem outras profissões além de escritor. É professor na universidade, ou escreve para jornais ou revistas, dá palestras, cursos, oficinas. Para um escritor se profissionalizar, em primeiro lugar é preciso que escreva.  Tem muita gente pensando primeiro na carreira, na exposição midiática e coisa do tipo. Está errado. Primeiro o escritor tem que escrever, tem que lutar com as palavras todo dia, como diz  Drumond. Não digo que um escritor não deva se profissionalizar. Se achar que é importante ser um escritor profissional, deve sim buscar ser um profissional. Agora, para isso ele deve levar muito a sério o que faz, não achar que pode escrever uma coisinha aqui, outra ali, deve ler muito, deve se aprimorar, escrever. Retocar, sem pressa. Isso é importante: quem escreve der ter paciência.

No que a literatura pode influenciar na melhoria da qualidade de vida de uma pessoa?
Dr. Homero: Não tenho qualquer dúvida de que um livro transforma a sociedade, pois transforma o leitor. O bom livro é aquele em que o leitor sai uma pessoa diferente de que quando entrou. Ou seja, um bom livro modifica a forma de ver o mundo do leitor . Ora, se o livro consegue mudar o ser humano, e se a sociedade é constituída de seres humanos, a literatura tem, portanto, capacidade transformadora. Aliás nisso reside a sua beleza e sua especificidade: o livro é, em sim, subversivo.

O senhor criou o Projeto “Passe Adiante”, em que consiste tal idéia?
Dr. Homero: Quando presidente do do Lions Clube “Afonso Mafrense” criamos o projeto “Passe Adiante”. Partiu de um pressuposto de que existem pessoas que já leram muitos livros, e na outra ponta, há gente que quer ler, mas não tem dinheiro  ou hábito de ir a uma livraria.
O projeto “Passe Adiante” é um ato simples, mas que pode criar o hábito de leitura . Escolhido um local público, que pode ser um grupo escolar, colégio, igreja, faculdade, banco de praça, biblioteca pública, bar, shopping, penitenciária, etc.
Nesse local o Lions Clube de Teresina “Afonso Mafrense deixará um livro ou mais livros e a mensagem a quem receber: “Tenha a gentileza de fazer o mesmo, ou seja, passe adiante o livro após a leitura.
Duas vezes por ano, 29 de outubro, Dia Nacional do Livri e na semana da Biblioteca, de 12 a 19 de março, o Lions Clube de Teresina “Afonso Mafrense” fará uma grande distribuição de livros, em lugar público previamente escolhido, com a presença de intelectuais, autores piauienses e amantes do livro.
Quem tiver livro pra doar pode ir separando. Pense: se alguém não lê, de onde virá seu saber?