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Proteja a sua voz

10 de fevereiro de 2011

A maioria das pessoas não dá muita bola pra ela, mas a verdade é que a voz é um dos meios de interação mais poderosos que o indivíduo tem ao seu dispor. Até mesmo ao nascer, é o primeiro choro o que marca a chegada do bebê. Com o passar do tempo, percebemos que a voz passa a ser relacionada com a personalidade, como uma marca registrada, que transmite muito além dos conteúdos, os sentimentos de quem fala.

Apesar da importância vital da emissão de sons na comunicação, é de estranhar que, na nossa sociedade, não seja um hábito dedicar alguns cuidados ao trato vocal – a estrutura que compreende desde os lábios até a laringe. Mesmo entre os profissionais que necessitam da voz de forma essencial em seu trabalho – e que atualmente representam 25% da população brasileira – são poucos os que buscam orientações específicas e é comum que sintomas de problemas relacionados ao seu mau uso sejam completamente ignorados por seus portadores

Rouquidão que não passa

Entre esses sinais claros do organismo, indicando alterações no trato vocal, um dos mais importantes é a rouquidão. “Uma rouquidão que persiste por mais de 15 dias, sem modificação e sem melhora, precisa ser investigada imediatamente. O sintoma pode indicar tanto uma simples inflamação como uma lesão cancerígena na laringe. E, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento”, alerta a otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, Mônica Menon.

Além da rouquidão, existem outros bons motivos para procurar um especialista dessa área: tosse, sensação de garganta seca, dor ou dificuldade ao falar indicam mudanças no aparelho fonador e requerem a análise cuidadosa de um profissional. Em consultório, além da conversa com o paciente, o médico poderá lançar mão de alguns exames que permitem verificar alterações funcionais na laringe ou nas pregas vocais, que possam estar comprometendo seu bom funcionamento.

Os testes mais comuns são a laringoscopia e a nasofibrolaringoscopia. Eles são um tipo de endoscopia feito a partir da introdução de um tubo no nariz ou na boca, que permite acompanhar em detalhes as estruturas que participam da produção da voz. “Os sintomas podem estar relacionados com diversas causas. Um refluxo gastroesofágico, uma desordem endocrinológica, uma alergia ou mesmo uma inflamação ocasionada por uma gripe, por exemplo, podem estar causando modificações nessa estrutura”, diz a otorrinolaringologista.

Uma simples inflamação que não recebe o tratamento adequado poderá evoluir, aumentando a predisposição do indivíduo à formação de nódulos – os populares calos. Daí a importância de intervir o quanto antes. Além dos tratamentos medicamentosos, com antialérgicos, anti-inflamatórios ou de outra natureza, dependendo da causa específica da rouquidão, é muito comum que os pacientes sejam encaminhados ao fonoaudiólogo. “Como muitas pessoas sofrem complicações pelo mau uso da voz, não basta medicá-las durante a crise, é preciso oferecer uma possibilidade de reeducação.

VOCÊ SABIA…
…que as pregas vocais, popularmente conhecidas como cordas, em nada se assemelham às cordas de um violão? As pregas são duas dobras formadas por músculo e mucosa, localizadas em posição horizontal na laringe, mais ou menos na altura da proeminência laríngea (também conhecida como pomo-de-adão)?
…que, para falar, emprestamos estruturas de outros aparelhos, como o respiratório e o digestório?
…que a velocidade com que as pregas vibram, para emitir os sons, é muito diferente nos homens e nas mulheres? Quanto mais rápido elas vibrarem, mais aguda sairá a voz. Ao falar a vogal “a” sustentada, por exemplo, as pregas vocais do homem vibram, em média, 113 vezes por segundo. As das mulheres, no mesmo exercício, vibram 208 vezes por segundo.
…que, quando bebemos água, ela nem sequer passa pela laringe e pelas pregas vocais, mas pela faringe e pelo esôfago, tubos localizados atrás da laringe? Portanto, a hidratação do trato vocal acontece principalmente de maneira indireta, por meio da corrente sanguínea.

Aí é que entra o acompanhamento de um fonoaudiólogo, que ensina como produzir os sons e a fala de forma adequada, conforme a atividade profissional e as necessidades de cada paciente”, explica Mônica.

Todo cuidado é pouco

Mas tão importante quanto ficar atento aos sinais de que algo não vai bem é fazer a sua parte para prevenir os problemas relacionados ao trato vocal. O processo natural de envelhecimento já produz, por si só, modificações importantes no tom de cada indivíduo, mulheres costumam falar mais grave com a passagem dos anos, enquanto nos homens tornam-se paulatinamente mais agudos. Porém, é possível adiar essas alterações, garantindo uma voz limpa, clara, equilibrada e agradável por mais tempo. O segredo é investir em pequenas mudanças de hábitos.

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USE BEM A VOZ: Quando falamos ou gritamos demais, a laringe se ressente.
Se a agressão persiste, pode aparecer a rouquidão, consequência de inflamações. O problema pode evoluir, ainda, para a formação de nódulos.

A saída é falar num tom moderado, respirando enquanto conversa, já que o ar é o combustível da voz. Em ambientes ruidosos, numa casa noturna, por exemplo, afaste-se das caixas de som e fale olhando para a outra pessoa, possibilitando, assim, que ela leia seus lábios.

Aí você não precisará esforçarse tanto para se fazer entender. Nos momentos de estresse prolongado, também vale tomar cuidado com as suas reações. Um simples grito irado pode ser o suficiente para provocar uma lesão nas pregas vocais. “Tenho um paciente que, ao dar um urro durante um jogo de futebol no estádio, adquiriu um pólipo nas pregas vocais. Agora, está passando por um tratamento de reabilitação”, conta a fonoaudióloga Camila Ribeiro Nascimento, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

HIDRATAÇÃO SEMPRE: Leve com você, a tiracolo, uma garrafa com água mineral. E tome pequenos goles pelo menos a cada hora. O cuidado ajuda a manter a hidratação, fundamental para que não haja tanto atrito entre as pregas vocais. “A água também ajuda a diluir as secreções, que ficam mais fluidas. Assim, a pessoa não pigarreia com tanta frequência”, esclarece Camila. Colocar uma planta aquática sobre a mesa de trabalho, especialmente em locais onde o ar-condicionado é mantido ligado durante todo o dia, também ajuda a umidificar o ambiente, o que faz bem tanto para a voz quanto para o aparelho respiratório.

DE OLHO NA DIETA: Alimentos muito condimentados e gordurosos, refrigerantes e bebidas ricas em cafeína podem prejudicar a voz. Então, é melhor não abusar. Consumir leite, derivados ou outros produtos que tenham esse ingrediente em sua composição, antes de um período em que a voz será muito solicitada, também não é aconselhável. “Alguém que já comeu chocolate e escovou os dentes logo depois, certamente percebeu como o alimento tornou a saliva mais espessa. Isso porque ele é rico em gordura, aumenta a quantidade de secreção e torna-se necessário deglutir mais vezes”, alerta Camila. Já a maçã tem efeito contrário. Funciona como um excelente adstringente, pois ajuda a limpar as cavidades de ressonância. Além disso, por ser uma fruta dura, deixa a articulação mais solta e, assim, o som sairá com facilidade maior. Ótima escolha para o lanche antes de uma palestra ou apresentação pública.

Cigarro, um vilão e tanto

Ele é capaz de provocar alterações tão importantes que, mesmo ao telefone, é possível identificar a voz de um fumante pelas características que ela adquire ao longo do tempo.

Mais grave e rouca, ela espelha uma agressão crônica e contínua a todo o aparelho vocal. Desde a primeira tragada, a fumaça quente agride todo o sistema respiratório, principalmente as pregas vocais, causando irritação, pigarro, tosse, inchaço e aumento de secreções.

O mau hábito também deixa o indivíduo mais suscetível a inflamações e infecções locais. Além de ressecar todo o aparelho fonador – o que colabora para aumentar o atrito entre as pregas vocais -, as substâncias nocivas contidas no cigarro e que vão se depositando nas mucosas que recobrem a laringe e as cordas vocais são capazes de predispor o indivíduo a diversos tipos de lesões malignas e benignas que requerem tratamentos clínicos mais sérios ou até mesmo intervenções cirúrgicas. “O fumo é considerado um dos principais fatores desencadeantes do câncer de laringe e pulmão.

Algumas pesquisas apontam que o risco de indivíduos fumantes apresentarem câncer de laringe é 40 vezes maior em relação aos não-fumantes”, alerta a fonoaudióloga Mara Behlau.

LONGE DA AUTOMEDICAÇÃO: Os especialistas são unânimes em afirmar que, para tratar problemas relacionados à voz, a pior solução é recorrer a sprays, balas e pastilhas com efeito anestésico. Eles funcionam bem para aliviar sintomas desagradáveis, mas são medidas paliativas e, a longo prazo, podem agravar o quadro. Isso porque, com a diminuição da sensibilidade local, a tendência é forçarmos ainda mais a voz, sem perceber. A dor, por outro lado, indica que algo está errado e nos faz mais prudentes. Buscar o tratamento para a causa do problema é sempre o melhor remédio.

UMA BOA NOITE DE SONO: A produção do som envolve um enorme gasto de energia. Por isso, sua qualidade também depende de um bom repouso. “Uma noite maldormida pode ocasionar uma rouquidão discreta, a voz se torna mais fraca durante todo o dia. Também é comum que a dicção fique prejudicada”, avisa a fonoaudióloga Mara Behlau, diretora do Centro de Estudos da Voz e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Mas, além do repouso corporal, é preciso investir no descanso do aparelho vocal, especialmente após muitas horas de uso continuado. Falar baixo, pausadamente e usando frases curtas, é uma boa maneira de conservar a saúde do trato vocal.

REDUZIR O CONSUMO DE ÁLCOOL: As bebidas, especialmente as destiladas, irritam a voz. Além disso, provocam uma leve sensação de anestesia na faringe e, com a redução da sensibilidade, fica muito mais fácil abusar, falando alto, por exemplo. “Há também uma forte relação entre o consumo excessivo de bebidas alcoólicas destiladas e o câncer de laringe e pulmão”, alerta Mara.

EVITAR O CHOQUE TÉRMICO: Embora não haja consenso entre os especialistas sobre os malefícios de tomar gelado – hábito muito comum em países tropicais, como o nosso -, eles concordam que é a mudança brusca de temperatura que pode comprometer a voz. Isso significa tomar um copo de refrigerante – ou cerveja – estupidamente gelado num dia de sol a pino e logo depois de terminar uma partida de futebol, com o corpo ainda aquecido. Pode até ser extremamente refrescante, mas se, depois disso, a voz sair meio falhada, não vá dizer que não avisamos.

Fonte: Revista Viva Saúde

1 Comentário

  1. Jhonatan
    12 de junho de 2015

    doutor , eu faço beatbox e certas musica necessita da garganta “forçando” to há 3 anos ,nunca perdi a voz e ja to acostumado a fazer isso ,será que “costume” é um sinal ruim ?!


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