Teresina tem 22 mil pessoas com deficiência auditiva

28 de setembro de 2011

Em Teresina há 22 mil pessoas com deficiência auditiva e em todo o Estado só há 32 escolas para atender essa população. As escolas regulares que trabalham com a inclusão de alunos surdos não possuem a estrutura necessária e o resultado disso é o aumento da evasão escolar. Ontem, quando foi comemorado o Dia Nacional do Surdo, representantes de escolas e entidades realizaram um ato na Ponte Estaiada, justamente para chamar a atenção da sociedade para a garantia dos direitos daqueles que não podem ouvir.

Para os representantes das entidades, que dividem a mesma opinião, a escola regular ainda não está preparada para a educação especial. Para se ter uma ideia, em todo o Estado só há sete intérpretes contratados para atuar nas escolas, com a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. “Na verdade a acessibilidade não acontece. Tem muitos alunos que estão deixando a escola regular porque não estão tendo nenhum rendimento. Eles necessitam da implantação de uma escola bilíngue”, afirmou a coordenadora pedagógica da Apae, Glaucimar Sales.

Segundo ela, a Apae, com sede no bairro Cabral, atende a 90 surdos. “Com a política de inclusão, as Apaes deixaram de funcionar como escolas e passaram a ser Centros de Atendimento Educacional Especializado. Defendemos que as Apaes voltem a funcionar como antes”, completou. O evento de ontem foi proposto pela escola Viva Integrada, uma instituição particular que atende 175 crianças especiais, sendo 22 surdas. “Um grupo de professores se propôs a realizar o evento em comemoração ao dia do surdo. Defendemos a expansão da linguagem dos surdos, bem como a garantia de seus direitos”, justificou a psicopedagoga Shirley Cardoso.

Durante o encontro aconteceram apresentações de balé e capoeira. Além disso, alunos surdos fizeram uma interpretação – em LIBRAS – do hino do Piauí. A coordenadora pedagógica do Senac, Ana Cristina de Assunção, informou que a instituição já oferece três cursos com foco em LIBRAS, escrita de sinais e metodologia da prática bilíngüe. A ideia é trabalhar na capacitação de profissionais que atuam na educação especial. Além disso, há dois alunos surdos participando do curso de operador de computadores, graças a presença do intérprete presente em sala de aula.

“Os cursos são voltados para a comunidade em geral e o objetivo é facilitar a comunicação com os surdos. Percebemos que falta ainda uma preocupação com a escrita dos surdos e nós estamos com um curso pioneiro no Estado”, disse. Ela acrescentou que no Piauí só há um surdo com curso superior. “Ele se formou em letras libras fora do Estado e hoje dá aula por aqui. Ele é um exemplo para os demais”, complementa. A coordenadora cita ainda que a maioria dos surdos só tem o Ensino Fundamental, pois acabam deixando a escola antes de chegar ao Ensino Médio.


Fonte: Jornal Diário do Povo

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